Versos e Quadras
Vários Versos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Bruno Moreira   
Sábado, 18 Julho 2009 22:25
Vários versos recolhidos por Bruno Moreira, junto de Teresa Ramos

Sempre me andais procurando,
Minha terra aonde é,
Minha terra é a Adeganha,
Que bem nomeada é.

Se me chegar a casar,
Na Adeganha há-de ser,
Ou no cimo ou no fundo,
Ou no meio a escolher.

Lá na rua da Capela,
Andam pombas pelo chão,
Quem houver de as caçar,
Há-de ser bom gavião.

A rua da Capela,
É ladrilhada mal segura,
Quando por ela passo,
Não há pedra que não bula.

Na rua da Capela.
Está um pocinho com rolas,
Quem houver de as caças,
Há-de levar redes novas.

Detei o limõ correndo,
A tua porta parou,
Quando o limão fa paragem.
O que fará quem o deitou.

Aqui neste canto, canto,
Aqui neste recantinho
Aqui bate as pombas asas,
ali faz a rola o ninho.

Água da fonte da lameira,
Ninguém a beba que é minha,
Pois roubei-a ontem à noite,
Do peito de uma menina.

Ó bela vem à janela,
Há dias que não te vi,
quero saber a resposta,
Da carte que te escrevi,

fizeste-me uma coisa bem feita,
Coisa que ninguém fazia,
Foi a melhor prenda,
Que no meu peito trazia.

Adeus que me vou embora,
quem não me conhece chora,
O que fará quem em quer bem,
Para a semana que vem.
 
A vida de uma rapariga PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por RVilela   
Sábado, 29 Novembro 2008 15:27
Versos - cedidos por Artur dos Ramos Paula 

A vida de uma rapariga 
     I   (filha)
Venha cá minha mãezinha
Quero-lhe um segredo contar
Há muito tempo que o guardo
Sem nunca lho poder contar
Não posso esperar mais tempo
Nem tal segredo guardar

     II   (mãe)
Conta-me lá querida filha
Que vem tal segredo a serS
egredo pra tua mãe
Nunca deves de os ter
Se for coisa de cuidado
Tens-me aqui pra te valer 

     III   (filha)
Ouça lá minha mãezinha
Mas não se vá agoniar
Eu até tenho vergonha
De tal segredo lhe contar
Tenho comigo uma moléstia
Que não posso aguentar

     IV   (mãe)
Explica-me querida filha
Que vem tal segredo a ser
Que te obriga a ter vergonha
De á tua mãe dizer
Conta-me isso a preceito
Para eu tudo saber

    
V   (filha)
Eu não sei como explicar
O que sinto dentro de mim
Ás vezes dão-me tontices
Que julgo ser o meu fim
Para mim é um martírio
Passar uma vida assim 

     VI   (mãe)
Conta lá querida filha
Se tens dores no coraçãoO
 que é que te apoquenta
Ataca-te algum furão
Isso é calor da mocidade
Por mais que digas que não

     VII   (filha)
Eu não sei bem o que sinto
Há um certa temporada
Quando me deito na cama
Não descanso mesmo nada
Sinto em mim um tal calor
Que ando em fogo abrasada

    
VIII   (mãe)
Eu bem sei querida filha
Quanto custa isso a sofrer
Esse terrível calor
Também o cheguei a ter
Por causa dessa bravura
Até perdi o comer 

     IX   (filha)
Nesse caso querida mãe
Conhece o meu padecer
Deve ter pena de mim
E não me deixar sofrer
Se não me cura depressa
Até posso enlouquecer

     
X   (mãe)
Vou-te já dar um remédio
Para ficares mais descansada
É fresquinho e faz bem
A quem anda esquentada
Pachos de erva moleirinha
Ficas toda consolada 

   
XI (filha)
Eu já tomei muitos banhos
Sem resultado tirar
A moléstia é tão grande
Que não a posso curar
Eu já trago as unhas gastas
De tanto tanto coçar 

   XII   (mãe)
Foi grande a constipação
Que apanhaste no bisbelho
Coçaste tanto com o dedo
Que já o trazes vermelho
Mas isso passa depressa
Se seguires o meu conselho 

  
XIII    (filha)
Venha de lá o conselho
Que o quero apreciar
Vou pô-lo logo em prática
Para o bisbêlho curar
Tão terrível comichão
Eu não posso suportar

    
XIV   (mãe)
Eu vou dar-te outro conselho
Para teu bem filha minha
Pões umas papas de linhaça
Bem junto da passarinha
Abala-te logo a febre
Dessa tua barriguinha 

     XV      (filha)
Ó que grande disparate
Linhaça não vale de nada
Estou certa que meu pai
Fez-lhe outra emplastrada
Eu quero a mesma receita
Para viver mais consolada 

     XVI     (mãe)
Tu és tola rapariga
Não podes deixar de o ser
Essa tua maluqueira
Te há-de fazer padecer
Remédio nenhum te agrada
Não sei o que hei-de fazer 

     XVII   (filha)
Eu não sei querida mãe
Como este calor é
Dão-me ás vezes agonias
Que não me posso ter em pé
Custa-me viver assim
Juro-lhe pela minha boa fé 

     XVIII     (mãe)
As raparigas de agora
Muito maluquinhas são
Ainda não têm carceja
E já têm comichão
Por isso digo e direi
És a minha perdição

     XIX     (filha)
Eu sou rapariga nova
Não tenho falta de tino
Só desejava saber
Como se faz um menino
Tenho ouvido dizer
Que não há bocado mais lindo 

     XX      (mãe)
Eu não sei a quem tu sais
Assim tão desavergonhada
Quando eu tinha a tua idade
Não era tão descarada
Toda a gente me dizia
Que eu era bem educada 

     XXI    (filha)
Eu nunca fui mal criada
E nem tonta felizmente
Tenho sido gabadinha
De em tudo ser prudente
Mas também quero fazer
Como faz a outra gente 

     XXII      (mãe)
Ó filha arrelias-me
Em andares nessa loucura
Tu queres entregar-te á fome
E deixares a fartura
O mimo em que tu estás
Acaba e nem sempre dura 

     XXIII      (filha)
Se não me lavo sou suja
Se me lavo sou douradinha
Tenho muito que comer
É bem verdade mãezinha
Mas eu quero passar fome
E não quero viver sozinha 

     XXIV     (mãe)
Ai que cena rapariga
Minha filha queres saber
Cuidas que és um regalo
Não sabes o que é sofrer
Deixa-te estar solteirinha
Coisa melhor não pode haver 

     XXV       (filha)
A mãe não fala verdade
Posso isso afiançar
A vizinha enviuvou
E já tornou a casar
Se o casar não fosse bom
Ela deixavasse estar 

     XXVI     (mãe)
Repara no que te digo
E vê lá se nisto crês
Algumas mulheres casam
Primeira e segunda vez
Enquanto elas são tolas
Escorregam até ás três 

     XXVII     (filha)
Minha mãe não me convença
Que estou cheia de aflições
Agora chega o meu tempo
O tempo das ilusões
Choro arranho-me toda
E até faço borbulhões 

     XXVIII     (mãe)
O diabo da rapariga
Anda tão entusiasmada
Razão nenhuma a convence
O que quer é ser casada
Vai encher-se de muitos filhos
Será sempre desgraçada 

XXIX        (filha)
Daqui até eu os ter
Tenho muito que gozar
E depois de os haver
Também se hão-de criar
É preciso que haja gente
Pró mundo não acabar 

     XXX     (mãe)
Bem te digo rapariga
Que o mundo está perdido
Se o teu pai chega a saber
Vai dar-te um grande castigo
Tu ainda és novinha
Toma cautela contigo 

     XXXI     (filha)
Eu tenho 18 anos
Criança não posso ser
A mãe na minha idade
Já filhos podia ter
Eu quero saber para quê
A este mundo vim ter

     
XXXII      (mãe)
Vai dormir com a tua mana
Que é uma boa companheira
Dormes a ela chegadinha
Durante a noite inteira
Dentro de bem poucos dias
Te passa essa tonteira 

     XXXIII     (filha)
Duas mulheres numa cama
É coisa que não tem jeito
Um casal é mais bonito
Sempre tem outro respeito
A mãezinha bem o sabe
Eu falo pelo direito 

XXXIV       (mãe)
Eu casei de 30 anos
Sou por isso afortunada
Mas se casasse mais nova
Seria bem desgraçada
Pois que seria de mim
Se tivesse mais filharada 

     XXXV        (filha)
Se eu tiver muitos filhos
Bem sei o que hei-de fazer
Vou criá-los com amor
Sujeitar-me a padecer
Nada disso me assusta
Posso-lhe afoita dizer

     XXXVI     (mãe)
Ó filha se me queres bem
Deixa-te estar mais eu
Se me fizeres a vontade
Dou-te tudo o que é meu
E se tu me desamparares
Nunca tens nada de teu 

     XXXVII   (filha)
Eu não ter nada de meu
Será muito adivinhar
Digo-lhe e torno a dizer
Agora quero-me casar
O meu corpo está em brasa
Não posso mais esperar 

     XXXVIII  (mãe)
Com essa tua teimosia
Não te posso aturar
Diz-me quem é o teu noivo
Que o quero cumprimentar
Se for um rapaz de jeito
Tratarei de te casar 

     XXXIX  (filha)
É isso mesmo que eu quero
Casar seja com quem for
Eu já não posso aturar
Em mim tão grande calor
Eu sinto por mim acima
Um fogo abrasador 

     XL        (mãe)
Dou-te á noite um escalda-pés
Para ver se te alivia
E se for força de sangue
Mando dar-te uma sangria
Para ver se tu sossegas
Até chegar esse dia 

      XLI       (filha)
Eu não quero escalda-pés
Não se esteja a afligir
Estou dando gargalhadas
Que a coisa está para rir
Eu só quero que a mãe saiba
Não me esteja a consumir 

     XLII     (mãe)
Valha-te Deus rapariga
Não sejas tão apressada
O caçador sem paciência
Nunca faz boa caçada
Espera mais algum tempo
Serás bem afortunada 

     XLIII     (filha)
A fortuna dá-ma Deus
Eu não estou para esperar
Posso esperar toda a vida
Sem a fartura chegar
O meu amor é bonito
Eu não o posso deixar 

     XLIV     (mãe)
Não entendo essa amizade
Em que há-de ir a parar
Namoro de pouco tempo
Já o não podes deixar
Minha filha que é isso
Que estou a desconfiar 

     XLV      (filha)
E tem-me dado beijos
Mas ainda estou honrada
Minha mãe não desconfie
Que na boca não se pega nada
No dia do casamento
Há-de ser festa dobrada 

     XLVI      (mãe)
Eu vou-te dar um conselho
Se o quiseres tomar
Os homens são impostores
Deves isso considerar
Esse teu namoro é fals
oEle anda para te enganar 

     XLVII    (filha)
Se não for da sua vontade
Eu vou para a fresca ribeira
Mais vale um gosto na vida
Que mil contos na algibeira
Este é do meu agrado
Eu gosto da brincadeira 

     XLVIII  (mãe)
Tu simpatizas com ele
Mas eu lhe acho graça
Descansa tens muito tempo
Espera por melhor caça
Ele tem muitos defeitos
É de muito fraca raça

     
XLIX     (filha)
A mãe não dizia nada
Se visse o jeito que tem
Quando andamos a dançar
Ai, que me sabe tão bem
Até me está a parecer
Que como ele não há ninguém

      
L          (mãe)
Dançar como ele dança
Ainda com mais perfeição
Pois dançar como ele dança
Dança qualquer toleirão
E a arte de dançar
Não é arte de ganha pão 

     LI         (filha)
Não é só pelo bem dançar
Que sou dele namorada
As falas que ele me dá
Me trazem enfeitiçada
Diz-me á vezes coisinhas
Que fico mesmo encantada                                   (FIM)      

 

Actualizado em Segunda, 01 Dezembro 2008 19:02
 
Minha mãe quero-me casar... PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Rui Vilela   
Quarta, 15 Outubro 2008 21:12
 ( Cedidos por Artur dos Ramos Paula)                 

Minha mãe quero-me casar
Que me morde a passarinha
Ó filha coça-a com o dedo
Que eu também coçava a minha.                       

     I

Há uns tempos para cá
Sinto grande comichão
Mãezinha do coração
Não sei o que isto será
Isto não abala já
Eu não posso aguentar
Por isso vou tencionar
Que me autorize o casamento
Pois já chegou o meu tempo
Minha mãe quero-me casar

     II
Dão-me as virilhas em tremer
E as forças a faltar
Ás vezes falta-me o ar
Não sei o que lhe dizer
Não posso assim viver
Oiça querida mãezinha
Olhe a sua filhinha
Que morre de comichão
Nessas horas de aflição
Que me morde a passarinha.

     III
Lamento ó querida filha
Essa tua aflição
Essa grande comichão
Que ás vezes te dá na virilha
Ainda és tão novinha
E do casar não tens medo
Deixa-te estar com sossego
Que és nova para casar
Para a comichão te passar
Ó filha coça-a com o dedo

     IV
Olha que todas as mulheres
Sofrem do mesmo desgosto
Faltam-lhe as cores no rosto
Desse mal que te referes
E tu agora que queres
Que te faça filha minha
Faz festas á passarinha
Enquanto o pássaro está ausente
Assim faz toda a gente
E eu também coçava a minha.
Actualizado em Segunda, 01 Dezembro 2008 19:15
 
Chora guitarra meu pranto... PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Rui Vilela   
Quarta, 15 Outubro 2008 21:11
( Cedidos por Artur dos Ramos Paula) 

Chora guitarra meu pranto
O teu chorar me entristece
Eu canto por não chorar
Quantas vezes acontece.

     I
O teu toque maravilhoso
Faz cantar sem ter vontade
Que canta com vaidade
Nada tem de ciencioso
Só podia ser ditoso
Se as obras fizessem espanto
Envaidecer mas no entanto
Fazer as coisas legais
Soluça sobre os meus ais
Chora guitarra meu pranto.

     II
Guitarra em eu te ouvindo
Encontro em mim bem estar
Um constante soluçar
Ao mesmo tempo sorrindo
O teu som suave e lindo
Que seduz e envaidece
Ora alegra ou aborrece
A quem tem amor ao fado
Eu digo bem magoado
O teu chorar me entristece.

     III
És instrumento de gala
Em feiras e romarias
Nas mais altas fidalguias
Em ti guitarra se fala
Do jardim passa á sala
Deixando o lindo luar
Já vejo a aurora raiar
Termina assim o cortejo
Guitarra quando te vejo
Eu canto para não chorar

     IV
Eu sou dos entusiasmados
O fado me entusiasmou
O teu lindo som me levou
Ao hino de todos os fados
São por ti tão bem tocados
Ao ouvir-tos tudo me esquece
Alimenta e fortalece
O teu trinado fagueiro
P’ra comer cantar primeiro
Quantas vezes acontece.
Actualizado em Segunda, 01 Dezembro 2008 18:29
 
Que vergonha uma donzela... PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Rui Vilela   
Quarta, 15 Outubro 2008 21:10
( Cedidos por Artur dos Ramos Paula) 

Que vergonha uma donzela
Com o cabelo rapado
Hoje há muitas raparigas
Que parecem mulheres do fado

     I
Sigam todas a direito
Isto assim não pode ser
É todo o povo a dizer
Que é uma falta de respeito
Isto assim não tem jeito
Andarem de perna á vela
Todos olham para aquela
Que passa em adjuntos
E dizem em muitos assuntos
Que vergonha uma donzela

     II
Passam em qualquer terreiro
E lá ficam a falar
E sem se envergonhar
De mostrarem o corpo inteiro
Será falta de dinheiro
Que as trás naquele estado
Qualquer filha de um morgado
Se apresenta quase nua
Passeando assim na rua
Com o cabelo rapado.
    
     III
Elas mostram as cuequinhas
Por baixo do seu vestido
O resto é que não digo
O que mostram as meninas
Usam as saias curtinhas
Ainda por cima das
meias muito compridas
E assim vão ao Coliseu
A mostrar o que Deus lhe deu
Hoje há muitas raparigas

     IV
Já não há honra nem brio
Nem em mulheres delicadeza
Julgam elas que é nobreza
Em mostrar o assobio
Hoje em dia o mulherio
É o que temos mais descarado
Com o pescoço rapado
Quando vão a passear
Fazem um homem pecar
Parecem mulheres do fado.
Actualizado em Segunda, 01 Dezembro 2008 18:19
 
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